Olá a todos!
Desta vez trago uma pequena crônica que escrevi, espero que a apreciem e também as mudanças que farei no blog em breve!
Voto de Cabresto
A jovem jornalista,
sentada em uma bonita e confortável cadeira, olhava curiosa para o
entrevistado. Era seu primeiro dia no novo trabalho, um jornal de uma pequena
cidade, então sem mais delongas pôs-se a questionar.
- Pode
confirmar seu nome?
- João da
Silva.
Com um
movimento rápido, ela anotou a resposta na caderneta.
- Quantos
anos o senhor tem?
- Quarenta e
três.
- Sempre
votou?
- Tirando a
época dos milico, sempre sim.
- Entendo. E
o que pensa sobre as eleições que estão se aproximando?
- Ahh, é
aquilo né... Uma robalheira só. Esses político não vale nada, só bandido vence
eleição.
Ela acenou
afirmativamente, quase inconscientemente, enquanto anotava a resposta dada.
Voltou a encará-lo.
- Então o
senhor acredita que as eleições não mudam nada no país?
Ele assentiu
vigorosamente.
- Isso,
isso... Esses cara são tudo areia do mesmo saco! Por causa disso esse país não
tem salvação, só bandido, só safado...
- Mas o
senhor já pesquisou sobre cada um dos candidatos?
- Não, não,
não preciso pesquisar. Já sei bem em quem votar... Pedro Lima.
A jornalista
ergueu as sobrancelhas.
- Se ainda
não pesquisou, como decidiu?
O senhor
abriu um sorriso, orgulhoso.
- Ele disse
que ia arrumar um emprego melhor pra mim na prefeitura se votasse nele, sabe?
Tô precisando de um salário maiorzinho...
Ela fez uma
anotação rápida, e ele subitamente enrugou a testa.
- Mas não
sai espalhando por aí, senão ele não me dá o emprego.
- Certo. E
em relação ao cargo de vereador, o senhor já decidiu em quem votará?
- Não, pra
fala a verdade ainda nem sei o nome dos candidatos.
Ele riu e
ela retribuiu com uma risadinha sem graça, fazendo uma nova anotação e
continuando com as perguntas.
- Mas
senhor, faltam apenas três dias para a eleição... Há quatro anos decidiu em
quem votar quantos dias antes dela?
- Ah...
Prefeito e vereador foi no dia da eleição. Quando eu tava na rua indo de a pé,
um sujeito entregou um panfletinho que eu li até lá, e por causa dele decidi em
quem votar.
Outra
anotação, e a jovem o encarou.
- E os
candidatos cumpriram suas expectativas?
Ele balançou
negativamente.
- Só
robalheira, só robalheira...
De repente
olhou para o relógio preso à parede e se sobressaltou. Levantando-se, começou a
despedir-se apressadamente.
- Tenho que
ir agora menina, tenho um compromisso.
Surpresa ela
apertou-lhe a mão, fitando-o.
- É
inadiável?
Ele
assentiu, sorrindo, mais uma vez, orgulhoso.
- Sim. O
Pedro Lima vai dar uma feijoada no ginásio municipal e eu fui convidado. É
homem bom, sabe? Mesmo sendo político, com toda essa robalheira...
Dizendo isso
saiu da casa, feliz por ter sido convidado para um evento tão importante e por
alguém tão importante.

